“Ê, boi/ ê, boi/ ê, boi do Piauí

Quem não dançar esse boi/ não pode sair daqui”

Luiz Gonzaga e Gonzaguinha – “Boi Bumbá”

 

“Eh, ox/ eh, ox/ eh, ox from Piauí

Whoever does not dance this ox dance/ cannot get out of here”

Luiz Gonzaga and Gonzaguinha – “Boi Bumbá”

 

A imagem acima é uma síntese da Teresina de hoje. Em primeiro plano, o antigo e tradicional bairro do Monte Castelo, com seus verdes quintais e seus telhados vermelhos. Ao fundo, os modernos espigões da Zona Leste, uma nova cidade que brota do chão. Na cultura da Capital acontece algo semelhante, o velho e o novo convivem, a tradição interage com a modernidade. Este choque cultural tem moldado a nova geração de teresinenses.

The above image is a synthesis of the contemporaneous Teresina. In first plane one can see the old and traditional Monte Castelo District, with its red roofs and its green backyards. In second plane the skyscrapers of the East Zone stand out, a new city arising. The cultural scene of Teresina is somewhat similar: old and new manifestations coexisting, tradition and contemporaneity interacting. This cultural clash has molded the new generation of citizens.

O Piauí é rico em manifestações folclóricas, que remontam à época da colonização do Estado e têm origem em folguedos ibéricos, como as Quadrilhas, o Reisado e o Cavalo Piancó. Durante o Encontro Nacional de Folguedos, que ocorre tradicionalmente em junho, em Teresina, competições como concursos de quadrilhas (fotos acima) fortalecem a tradição e reforçam as raízes culturais piauienses.

The folklore of Piauí is rich, and its manifestations, like the Quadrilles, the Reisado and the Cavalo Piancó date from the colonization of the State, whose origins go back to Iberian festivities. The photos above were taken during the National Folklore Festival, a traditional event that occurs every June, in Teresina.

O Bumba-meu-boi é a mais genuinamente festa folclórica piauiense, ligada à ocupação do território por fazendas de gado – existe uma antiga cantiga que diz “O meu boi morreu/ que será de mim?/ Manda buscar outro, maninha/ lá no Piauí”. O folguedo conta a estória de Catirina, mulher de Chico Vaqueiro que, estando grávida, desejou comer a língua do boi mais bonito da fazenda. Catirina induz o marido, capataz da fazenda, a matar o animal. O fazendeiro, dono do boi, procura o autor do crime e Chico é acusado. Vários doutores são chamados para curar o boi e, depois de muitas peripécias, onde há julgamento e perdão, termina tudo em festa e dança, comemorando sua cura. As fotos acima também são do Encontro Nacional de Folguedos, com o boi presente já no portal de entrada (primeira foto). As duas fotos seguintes mostram o tradicional Boi Imperador da Ilha, com mais de 75 anos de atividade em Teresina (©Alexander Galvão), enquanto a última retrata o Boi Faceiro, de Pernambuco (©Diego Barlo), mostrando que, mais que piauiense, o folguedo é nordestino.

Bumba-meu-boi is surely the most typical of the folkloric manifestations of Piauí, related to the occupation of the State territory by stockbreeding farms – there are old popular verses that say “My ox is dead/ alas, what am I supposed to do?/ Don’t worry, little sister, there are many others/ Down there, in Piauí”. The festivity tells the story of Catirina, wife of Chico Vaqueiro, a man in charge of a farm. Pregnant, she wished to eat the tongue of the most beautiful ox in the farm, and induced her husband to kill the animal. Chico is accused of being the killer and many wise men are called to cure (or resuscitate) the ox. Eventually, the animal is cured and, after judgment and forgiveness, everything ends in dance and feast. The photos above were also taken during the National Folklore Festival, showing that the iconic figure of the ox is present from the entrance hall (first image). The next two photos show the traditional group “Imperador da Ilha”, active for more than 75 years in Teresina (©Alexander Galvão), while the last one displays the “Boi Faceiro”, from the State of Pernambuco (©Diego Barlo), proving that, far from being only a State festivity, Bumba-meu-boi is a tradition of the entire Brazilian Northeast).

Muitas lendas urbanas passaram de geração a geração desde a fundação de Teresina. O Cabeça-de-Cuia é, seguramente, a mais famosa delas, que provavelmente teve origem na velha Vila do Poty, povoação de pescadores que foi o embrião da Capital. Conta a história do pescador Crispim, pobre e órfão de pai, que morava apenas com sua velha mãe. Certa vez, após um longo e infrutífero dia de trabalho, não havia nada para comer ao chegar à sua casa além de uma sopa de ossos de boi, feita pela velha senhora. Transtornado, o pescador toma o maior dos ossos e agride sua mãe até a morte. Contudo, antes de falecer, a mesma o amaldiçoa a vagar entre os Rios Parnaíba e Poty com uma enorme cabeça disforme, só podendo ser desencantado após devorar sete Marias virgens. Desesperado, o pobre homem se atira nas águas do Rio Parnaíba para não mais ser visto. De acordo com a lenda, ainda hoje o Cabeça-de-Cuia assusta os pescadores que pescam além da necessidade nos rios da Capital, tendo se tornado um dos símbolos não-oficiais de Teresina. Este monumento, representando o monstro e as sete Marias, está localizado no Parque Ambiental Encontro dos Rios, em frente à confluência dos Rios Parnaíba e Poty.

Many urban legends passed from one generation to the next since the foundation of Teresina, and some reached our days. The legend of the “Cabeça-de-Cuia” (Gourd-Shaped Head) is, beyond any doubt, the most famous of them all, probably a reminiscence of the old “Vila do Poty”, small fishermen dwelling that was the original nucleus of population of Teresina. It tells the story of Crispim, a poor fisherman, orphan of father and living solely with his old mother. On one occasion, coming back home after a strenuous and fruitless working day, he found nothing to eat except a soup of bones, made by his mother. Out of his mind, he attacked the old lady with the biggest of these bones, hitting her to the death. However, while still alive, she cursed him to stray forever between Parnaíba and Poty Rivers, with an enormous and gourd-shaped head; the only way for him to break the enchantment was to eat seven virgin women called Mary. Desperate, he dived into the waters of Parnaíba River to no longer be seen. According to the story, the “Cabeça-de-Cuia” is still there, scaring people who fish beyond their needs, becoming one of the unofficial symbols of Teresina. This monument, representing the monster and the seven virgin women, is located in the Urban Park situated in front of the meeting of Parnaíba and Poty Rivers.

O crescimento da cidade fez com que o regional travasse contato com o universal. Além de grupos de danças folclóricas (primeira foto, ©Diego Barlo), hoje são encontrados em Teresina corpos de dança contemporânea, como o Balé da Cidade (segunda imagem, ©João Rufino), e de balé clássico (terceira foto, ©Alexander Galvão), como a Escola de Dança Lenir Argento. O ritmo preferido dos teresinenses, entretanto, continua sendo o tradicional forró.

As the city grew, the local manifestations have met the universal art. Besides folkloric dance groups (first image, ©Diego Barlo), currently it is possible to find in Teresina groups of contemporaneous dance, like the City Ballet (second image, ©João Rufino), and classical ballet groups (third image, ©Alexander Galvão), like the Lenir Argento State School of Dance. Nevertheless, forró remains as the preferred rhythm of the inhabitants of Teresina.

A música ao vivo é uma instituição da noite teresinense. Seja em teatros, em bares da moda ou em palcos ao ar livre, a MPB ou o pop-rock tocados de maneira despojada são um traço marcante da vida noturna da cidade, que resiste aos anos e que foi o primeiro passo para que artistas locais se destacassem nacional e internacionalmente (primeira foto, ©Diego Barlo, segunda foto [Vavá Ribeiro], ©Thiago Moraes, terceira foto [Ostiga Jr.]).

Music played live is an institution of Teresina’s nightlife. Popular music or pop-rock performed in a simple and straightforward way are a trait of the city nights, and many local artists acclaimed nationwide and abroad began their careers like that (first image, ©Diego Barlo, second image [Vavá Ribeiro], ©Thiago Moraes, terceira foto [Ostiga Jr.]).

Mas, nem só de música popular vive a cidade. Em 1993 foi fundada a Orquestra de Câmara de Teresina, embrião da Orquestra Filarmônica de Teresina, patrocinada pelos Correios e criada em 2005. A partir de 2007, completamente sob os auspícios da Prefeitura Municipal, passou a ser denominada Orquestra Sinfônica de Teresina. Seu objetivo é levar música instrumental de qualidade à população da cidade, em todos os estratos sociais (primeira imagem, ©Lívia Moura). A música erudita tem cada vez mais praticantes em Teresina (terceira imagem, ©Marcelo Mesquita).

But the city lives not only from popular music. In 1993, the Teresina Chamber Orchestra was founded, the embryo of the Teresina Philharmonic Orchestra, sponsored by the Brazilian Postal Service and created in 2005. From 2007 onwards, completely under the auspices of the City Government, it was designated Teresina Symphony Orchestra, aiming to bring high-quality instrumental music to everybody (first image, ©Lívia Moura). Classical music is getting more and more accepted in Teresina (third image, ©Marcelo Mesquita).